Prepara-se para se encantar: “A forma da água” estreou recentemente no Brasil. » Soul Geek

Prepara-se para se encantar: “A forma da água” estreou recentemente no Brasil. » Soul Geek

Com 13 indicações ao Oscar, “A forma da água” do diretor Guilhermo Del Toro, lidera a lista de indicados esse ano. E, na minha humilde opinião, com muita razão. Apesar de ter uma história previsível, é contada com tanta riqueza de detalhes, tudo se encaixando direitinho no seu lugar, que até esquecemos que já sabemos como tudo vai terminar. Mas estou me adiantando.

Se você não sabe ainda sobre o que é o filme, vou resumir assim: é uma improvável e mágica história de amor. Elisa (Sally Hawkins) trabalha como zeladora em um enorme laboratório de pesquisa, no início da década de 60 nos EUA, juntamente com sua melhor amiga, Zelda (Octavia maravilhosa Spencer). Lá ela conhece um dos “experimentos”, que seria uma espécie de anfíbio ou ser marinho humanoide (muito parecido com o amigo do Hellboy). Acontece que eles se apaixonam, e Elisa descobre que o Coronel Strickland, responsável pelo laboratório, pretende assassiná-lo para poder estudarem o seu interior. Com a ajuda de amigos, Elisa precisa tirar o seu amado de lá, antes que seja tarde demais.

Antes de tudo, gostaria de comentar sobre as cores do filme. Del Toro usa muito azul e muito verde, dando sempre aquela sensação de água. Os outros tons usados são sempre muito neutros, muito marrom, cinza, bege. O local mais colorido é a casa do Coronel Strickland, que é a reencarnação daquela década e do espírito norte americano, muito patriota e que acredita que a sua nação é a melhor do mundo inteiro. Lá encontramos cores como amarelo mostarda, rosa pastel, azul petróleo e outros tons mais abertos, que caracterizam a época. As cores também tem uma parte importante na narrativa de Elisa, que a princípio só usa cores escuras, mas à medida que vai se apaixonando pelo “Experimento” (como ele é chamado), o vermelho se faz cada vez mais presente nela, surgindo bem aos poucos e depois dominando.

Eu ficarei muito decepcionada se Sally Hawkins não ganhar o Oscar. Ela conseguiu construir uma personagem com camadas complexas sem falar um “A”. Elisa é uma mulher forte, madura, que possui uma leveza e uma inocência que a tornam extremamente carismática, ao mesmo tempo em que o diretor trabalha a sua sensualidade e não a esconde por detrás de uma camada de pudor. Ela é quem é.

Octavia Spencer não precisou se esforçar muito para fazer Zelda. Mesmo assim, no filme os modos como ela sofre com o machismo e com o racismo, lidando com isso da melhor maneira possível, são muito bem explorados. O vizinho e melhor amigo de Elisa, gay e artista decadente, tem um arco um pouco menos bem trabalhado, mas com uma participação importante como observador constante das situações, e nos ajudando a perceber o preconceito até dele mesmo em relação à criatura. Já o personagem do Dr. Hoffstetler é um dos arcos mais tensos do filme, pois ele nos traz a Guerra Fria, um assunto recorrente da época. Seu plot nos mostra um homem dividido entre o amor pela ciência e o patriotismo, o dever e a paixão. Eu gostei muito dele. Temos também o já citado Strickland, que é a reencarnação do espírito norte americano, trazendo para a discussão muitos assuntos interessantes, que nos fazem grudar na tela.

Deixei por último a Criatura, ou Experimento, ou Coisa. Como preferir chamar. Del Toro trabalha com esse personagem de uma maneira intrigante, já que ele é um ser místico, fantasioso, mas ao mesmo tempo, possui traços humanoides. O filme vai brincando com a dualidade que ele representa, entre ser uma espécie de humano aquático e ser um animal selvagem. Eu fiquei encantada por ele, vou nem mentir.

Como já falei das cores, acho que fica claro que a fotografia é impecável. Os ângulos, as transições de cenas… É tudo muito fluido, bonito. O filme todo tem uma estética muito noir. A trilha sonora é usada para completar as cenas, servindo como apoio para Elisa, seus pensamentos, suas ações e seus sentimentos.

O filme é lindo. Muito bem montado, com efeitos práticos excelentes, uma fotografia que faz você querer imprimir as cenas e emoldurar em casa, uma história que é bela, singela e sutil, trazendo aspectos sociais e culturais da época, erguendo problemáticas e completando-as dentro da sua narrativa. Você termina de assistir e sai feliz, o coração quentinho, cheio de coisas boas. O filme é pura poesia. Tenho grandes esperanças de que “A forma da água” leve muitas estatuetas, pois merece, e muito.

P.S: Guilhermo Del Toro “escreveu” um livro baseado no filme, e que supostamente deverá expandir o universo explorado em “A forma da água“. Será lançado pela editora Intrínseca, no final do mês de fevereiro, e trará ilustrações de James Jean.

Trailer:

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