Crítica: Um Lugar Silencioso » Soul Geek

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Admito que, quando se trata de filmes de terror, é sempre um grande desafio me assustar. Não que seja difícil se divertir com o gênero, muito pelo contrário (os grindhouses estão aí para provar isso). Mas, para mim, conferir um novo filme de terror é ir preparado para receber um pouco mais do mesmo: os famosos “jump scares”. Essa famosa técnica utilizada para arrancar sustos da platéia, agora saturada pela indústria cinematográfica, banalizou os filmes do gênero de tal forma que, hoje, o público dificilmente consegue distinguir medo de susto. Talvez seja esse o grande vilão de algumas obras-primas atuais, como “A Bruxa”, que terminou não recebendo o respeito merecido. Uma pena, afinal é muito fácil assustar. Porém, despertar os piores demônios no nosso inconsciente, arrancar aquela sensação de frio na barriga e, até mesmo, nos deixar algumas noites sem dormir, esse sim é um trabalho para mestres. “Um Lugar Silencioso” não exclui os “jump scares”, mas sabe trabalhar com algo muito mais agonizante do que uma trilha sonora propositalmente inserida para assustar: o silêncio.

Fazendo sua estreia (em uma grande produção) como diretor, o ator John Krasinski chega provando que tem talento para o gênero e muita história para contar. Aqui, acompanhamos por alguns dias a vida de Lee (John Krasinski), Evelyn (Emily Blunt) e seus dois filhos, isolados em sua casa no meio de um milharal, tentando sobreviver a uma ameaça global desconhecida: criaturas cegas e blindadas que se guiam e caçam através do menor barulho emitido.

É difícil não comparar com a franquia “Cloverfield”, já que ambos possuem elementos em comum. Entretanto, o grande trunfo deste filme não está em esconder a criatura (que já dá as caras nos primeiros minutos), nem em isolar seus personagens do mundo, mas em explorar todas as agonias do ser humano diante da necessidade do silêncio. Este é, de fato, o maior dos isolamentos. Desde as pequenas dificuldades de comunicação até um grito de dor abafado. O silêncio se desprende da tela com tamanha facilidade, que não tarda a incomodar o menor dos barulhos na sala do cinema.

“Um Lugar Silencioso” não marca apenas a estreia de Krasinski na direção. Esta é a primeira vez que o ator divide a tela com sua esposa, Emily Blunt. A atriz britânica entrega mais uma atuação impecável, reafirmando a talentosíssima carreira que construiu ao encarar novos papeis e não fazer feio em nenhum deles. Além de Emily, é impossível não citar a atuação do núcleo jovem do filme, composto por Noah Jupe (Extraordinário) e Millicent Simmonds. Esta última arrancou diversos elogios dos críticos no recente “Sem Fôlego” e é uma das novas apostas de Hollywood.

O único pecado de Krasinski está em não ter arriscado uma montagem mais elaborada e uma fotografia marcante. Elementos esses que, provavelmente, daria a “Um Lugar Silencioso” uma identidade própria, assim como nos filmes de Kubrick ou até mesmo em “O Chamado”, de Gore Verbinski. Porém, nada que o tempo não ensine ou que ofusque o brilhante futuro do ator como diretor.

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