“Assassinato no Expresso do Oriente” a nova adaptação da rainha do mistério estréia nos cinemas! » Soul Geek

“Assassinato no Expresso do Oriente” a nova adaptação da rainha do mistério estréia nos cinemas! » Soul Geek

Agatha Mary Clarissa Christie, nascida em 1890, contista, dramaturga, romancista e poetisa, rainha do mistério, autora de 72 romances e com um deles sempre figurando o top 10 de mais vendidos do mundo (“E não sobrou nenhum”). Em sua biografia é contado como ela desenvolveu a história do famoso “Assassinato no Expresso do Oriente” (publicado em 1934), uma de suas mais conhecidas obras, que já foi adaptada diversas vezes para as telas. A ideia para a história do livro teria vindo de uma das viagens de Agatha no Expresso do Oriente, juntamente com uma história que bombou nos jornais da época (que não podemos citar, pois é spoiler).  Agora temos a nossa versão de 2017, com direito a um elenco monstruosamente topster.

Hercule Poirot, o famoso detetive, precisa pegar o Expresso do Oriente e no meio da viagem ocorre um assassinato. Presos à caminho da Iugoslávia por uma tempestade de neve, Poirot precisa desvendar o mistério antes que o assassino fuja ou outra pessoa seja uma vítima.

Parece um enredo super simples, e de certa forma, é. Porém, temos um cenário claustrofóbico (o trem), diversos personagens para suspeitar (são mais ou menos 10-11), um morto com um caráter questionável e o melhor detetive do mundo, reunidos em uma trama bem contada. A atuação de Kenneth Branagh como Poirot está impecável, trazendo o humor irreverente do personagem, assim como a sua postura austera e a sagacidade dele. Ele é o foco da narrativa, já que é a pessoa encarrega de desvendar o mistério. Uma das melhores coisas do filme é nos colocar sempre, em momentos estratégicos, no ponto de vista do detetive, para que possamos “ver o que ele vê”. Eu suponho que a ideia é que desvendemos junto com ele o assassinato, ao invés de só observar o modo como ele trabalha, como no caso do filme de “Sherlock Holmes”.  Poirot é um homem complexo, bem construído, e muito bem apresentado no filme, com cenas acertadas e bem focadas em demonstrar que tipo de pessoa ele é. Fãs do livro deverão ficar satisfeitos (eu, ao menos, fiquei) e quem não conhece, tem a chance de conhecê-lo de uma maneira divertida e rápida, sem necessidade de muitas explicações ou reviravoltas para isso.

Os outros personagens não têm muito tempo em tela, já que são muitos, mas é interessante perceber como uma boa atuação faz diferença em um filme assim. Mesmo que não tenhamos como aprofundar nossa relação com eles, os atores e as atrizes capricham nos trejeitos, no tom da fala, nas expressões, e assim podemos entender que tipos de pessoas aqueles personagens são. O figurino ajuda demais nessa caracterização, caprichando para exibir a individualidade de cada um. E elenco bom tem até de sobra. Já citei Keneth (que também é o diretor, diga-se de passagem), porém também temos Daisy Ridley, Josh Gad, Judi Dench (nossa eterna M <3), Michelle Pfeiffer, Penélope Cruz, Willem Dafoe, Olivia Colman, Johnny Depp etc.

Uma coisa interessante no filme é que deram uma dualidade interessante ao personagem de Poirot, sempre muito certinho, com uma bússola moral impecável, sempre atrelado à linha do “certo e errado”. Exceto um ou dois momentos desnecessários na trama, todas as suas reflexões são bem pontuais, trazendo esse questionamento (sobre o que é certo ou que é errado) à tona.  À medida que o filme avança, só fica melhor.

O desenrolar dos fatos e da resolução do mistério são muito bem amarrados. Cada ponto que é colocado em pauta vai tendo seu desfecho, com explicações plausíveis, que trazem um final dramático e surpreendente, que segue em direção ao pôr do sol, ou ao nascer do sol, não sei. Ao horizonte. Sim, essa cena em direção ao horizonte existe, e foi uma das poucas cenas que eu achei bem tosco, mas deve ser porque eu tenho pouca inclinação ao piegas.

Eu não tive surpresas com o desfecho, porque eu sou muito fã da autora e já tinha lido o livro antes do filme, mas quem não sabia o final gostou bastante da surpresa. Ou foi o que me disseram. Outro colega apontou a falta de desenvolvimento dos personagens, mas como eu já disse, são muitos e temos que lembrar que o filme tem outro foco. Imagino que a ideia principal seja justamente conhecer os suspeitos o mesmo tanto que o próprio detetive para assim sempre ter uma pulga atrás da orelha com todo mundo. Se apegar faz mal meu povo.  

A fotografia é maravilhosa e é ressaltada sempre que possível, com uns ângulos muito favoráveis às paisagens do estrangeiro. Temos cenas lindíssimas de Istambul, por exemplo.

A trilha sonora é bem gostosa de ouvir, funcionando sempre a favor das cenas – inclusive introduzindo o silêncio em alguns momentos, aumentando o impacto necessário naquele instante. Eu com certeza não vou me lembrar das músicas depois, mas eu sou uma batata.

Uma curiosidade: o roteirista, Michael Green, esteve em projetos como “Blade Runner 2049”, “Deuses Americanos” e “Logan”, mas também em coisas horrendas como “Lanterna Verde” no currículo. Porém, ele não é o único a ser culpado por esse fracasso, então eu fico feliz que “Assassinato no Expresso do Oriente” figure em mais um sucesso nessa lista. E também, o diretor esteve envolvido em maravilhosos filmes, então tinha poucas chances de dar errado.

Eu espero que todos gostem dessa nova adaptação. Ele tem sim um ritmo um pouco lento, e provavelmente algumas pessoas não vão gostar, mas o filme não é longo, e trabalha bem a sua atmosfera cativante. Temos até uma ou duas cenas mais agitadas! Então assistam, e fiquem atentos aos detalhes. Eu desafio vocês a descobrirem quem é o assassino antes do detetive Poirot!

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